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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sentindo dor... Que bom!!!

O título desta reflexão pode assustar e parece vindo de uma mente masoquista ou até mesmo sádica. É um verdadeiro paradoxo dizer que sentir dor é uma coisa boa, mas na condição de lesado medular em que geralmente não costuma-se sentir nada, até que sentir uma dorzinha de vez em quando pode ser uma coisa positiva, isso quando esta é em um local aonde não se tem sensibilidade alguma.
Pois bem, há alguns dias venho sentindo uma dor no final da coluna, na região sacral, bem lá no osso, não é do tipo insuportável, mas é bem incômoda, o pior é que ao comentar pro meu fisioterapeuta que com a prática de alguns exercícios estava sentindo a tal dor aumentar ele veio me falar que isso era bom (ele fala isso porque não é ele que está sentindo),e ao expor o problema pra os meus amigos eles também interpretaram da mesma forma. Mas quer saber o que eu penso de tudo isso?

(VAMOS FILOSOFAR)

Em meio ás minhas muitas pesquisas e leituras conheci muitas pessoas e livros interessantes e quero fazer menção ao rabino Harold Kushner, que em seu livro “Quando Coisas Ruins Acontecem às Pessoas Boas” (Ed. Nobel, 1981), ele reflete sobre a necessidade de sentirmos dor; não que seja ótimo sentir dor, mas a dor é um aviso que o organismo humano envia para nos lembrar de que alguma coisa não está indo bem e que precisa ser regularizado. É uma oportunidade para revisarmos nossa saúde. Outras vezes a dor vem em virtude de esforços que fazemos superiores àqueles que podemos suportar. Para Kushner, “a vida seria perigosa, talvez impraticável, se não pudéssemos sentir dor” (p.67). A dor, seja ela física, emocional ou espiritual, é um custo de nossa existência humana.( profundo né?)
De fato, ninguém gosta de sentir dor e comigo não é diferente, mas se é pra ser otimista, então que venha, mas que ás próximas dores venham também nas coxas, nos joelhos, nos pés...dessa forma acabo sentindo alguma coisa nesses locais e mesmo que ainda sejam dores....estarei no lucro.....pior é não sentir nada.
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terça-feira, 7 de junho de 2011

Ortostatismo - Vale a pena.


 Um dos maiores benefícios que eu senti no Centro de Fisioterapia Neuro Funcional Maria Moura de Aquino (local aonde faço fisioterapia) aqui em Guarabira, foi voltar a ficar de pé, depois de alguns meses só sentado e deitado, e hoje conversando com Ronaldo (meu fisioterapeuta), ele comentou sobre  a prática do ortostatismo,(palavrinha diferente né ?) que significa "posição de pé". Lá há um aparelho que se chama “prancha ortostática”, uma espécie de maca com amarras, para prender o corpo (olha aí na foto acima). Com o uso do controle elétrico para subir a prancha, a pessoa, gradativamente, atingirá a posição vertical. Pode levar dias ou meses até chegar a esta posição. Cada seção de ortostatismo não deverá ultrapassar uma média de 45 minutos, para que as amarras e outros artefatos não provoquem úlceras.
A primeira vez que fiquei de pé foi uma sensação deliciosa depois de tanto tempo sentado, ver novamente as pessoas no mesmo nível (no meu caso, um nível acima) e sentir o corpo apoiado sobre as pernas e pés. Além de ser bom pra mente tem importância clínica fundamental para o lesado medular.
O ortostatismo é importante para prevenir osteoporose por desuso, já que os ossos das pernas não tem mais a função de sustentar o corpo e não se movimentam com a frequência usual. A osteoporose pode causar perda óssea, o que pode ser um problema futuramente caso recupere funções motoras dos membros inferiores.
Melhora tembém as funções urinárias e intestinais, prevenindo infecções urinárias e fecalomas (endurecimento de fezes). Contribui também para redução da espasticidade. E ainda torna possível fazer alguns exercícios de fisioterapia impossíveis em outras posições, melhorando assim o controle de tronco. Traz benefícios também para a circulação.
Além de ajudar a prevenir a osteoporose, reduzir a perda muscular e ajudar no peristaltismo, o ortostatismo feito corretamente e constantemente ajuda a manter a frequência cardíaca e a ventilação nos pulmões. Há casos reais de paraplégicos e tetraplégicos que depois de algum tempo de inatividade começam a ter problemas cardíacos, insuficiência respiratória e pressão alta. Como não quero passar por nada disso, melhor me prevenir né?
Então olhem só a minha cara de aprovação ao lado do meu fisioterapeuta.
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domingo, 5 de junho de 2011

Homenagem emocionante.



Ontem acordei cedinho pra ir á empresa em que trabalhei, havia sido comunicado (um dia antes) para que eu comparecesse lá pra acertar algumas pendências que eles tinham comigo. Fiquei a me questionar do que se tratava, confesso que cheguei a pensar em não ir, (devido ao exaustivo percurso da viagem), mas como não ia á pé, ou melhor, à cadeira de rodas, resolvi enfrentar a estrada (tive inclusive que apressar o conserto da minha cadeira...... lembra que já havia comentado aqui no blog que ela estava com um probleminha?). E assim fiz.
Fui com um grande amigo e ex-colega de trabalho que me fez o favor de chegar ás 5:00h da manhã aqui em casa (Pensou que ele veio me acordar? Pensou certo!), aí me levantei, me arrumei tomei café e “roda na estrada”.
Meu amigo Damião Sérgio e eu.
Ao chegar lá todos já sabiam da minha visita á empresa e também tratava-se de um dia de reunião geral entre os responsáveis pela administração, supervisores, vendedores e promotores.
E aí foi aquele auê, tinha muita gente lá que não via desde o ano passado, muitos me abraçaram, beijaram e prestaram solidariedade. Esperei alguns minutos e me acomodei ou melhor estacionei minha cadeira, numa das últimas filas da sala de reuniões e aí a reunião começou com a apresentação de novos produtos e tudo  mais, depois teve um intervalo para o coffee-break e depois retomamos á segunda parte.
 Ao voltar, de cara fui surpreendido pelo representante da CIV (Cia.Industrial de Vidros), uma empresa que tem como distribuidora na Paraíba a Central Mix (empresa que trabalhava antes do acidente), e ele começou a segunda pauta da reunião fazendo a divulgação dos ganhadores de uma campanha que fôra lançada em virtude do Dia das Mães-2011, (campanha á qual nos anos anteriores havia ganhado 5 das 6 categorias possíveis) e que pra minha surpresa esse ano a maioria desses prêmios foram recebidos pelo promotor que hoje substitui a área que atendia antes, (fiquei feliz em saber que o trabalho que comecei vinha sendo continuado) e ainda mais que era um amigo de longas datas que ganhara aquela premiação (á  propósito quando este recebeu o prêmio fez questão de dividir comigo, fui pego de surpresa e nem queria aceitar, mas como ele insistiu e eu sentindo que era uma coisa dada de coração, acabei recebendo), foi emocionante tudo isso, mas o melhor ainda  estava por vir. Edmilson (o representante da CIV) pediu pra me aproximar mais, e eis que começara uma tremenda homenagem á minha pessoa.
Num telão que lá estava foram expostas fotos de alguns trabalhos que tive a honra de realizar no período em que lá trabalhei e  a cada fotografia apresentada era lida uma frase significativa á minha pessoa, e ao terminar a apresentação ainda ganhei um porta retrato com uma foto do meu melhor layout e também um diploma nunca antes conferido pela CIV á um promotor de merchandising , em reconhecimento ao eficiente trabalho desenvolvido.

Olha aí abaixo na foto: à esquerda o Presidente da empresa (meu ex-patrão e amigo Junior), á direita (o representante da CIV e também amigo- Edmilson) e o bonitão aí do meio sou eu.


E a homenagem não parou por aí, com a voz o presidente da empresa e sua digníssima esposa, que também me emocionaram muito em suas colocações, ao falar sobre a minha importância não só para a empresa, mas também para todos àqueles que de alguma forma tiveram , tem ou terão o prazer de me conhecer.
No final acabei agradecendo á todos pela homenagem e solidariedade para comigo.
Concluo então esse texto assim:
  •   Concerto da cadeira de rodas- R$ 40,00
  •    Prêmio divido pelo amigo- R$ 200,00 
  •   Ter o reconhecimento das pessoas amigas: R$ não tem preço.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Vagas para deficiente – Respeite e não ocupe-a sem permissão


Hoje fui à João Pessoa pra uma audiência do DPVAT e chegando ao forum de cara já fui logo dando uma "cadeirada" na fila de carros pra entrar no estacionamento (estava imensa, mas tive prioridade), mas aí quando entramos não conseguimos encontrar vagas disponíveis para deficientes, estavam todas ocupadas , algumas até por indivíduos não deficientes e sim "eficientes".
Então em meio ás minhas pesquisas na net sobre as dificudades do dia-a-dia de um cadeirante, não pude deixar de observar esse artigo do Blog (THE BEST), e devido o que aconteceu comigo, resolvi postá-lo também aqui no meu blog, para que haja uma maior divulgação e conscientização dos andantes para tal fato.

É impressionante o número de pessoas que desconhecem a regulamentação e a forma correta de utilização da vaga para deficientes em locais privados e nos locais públicos. Além disso tem as pessoas que sabem, mas se fazem de desentendidas ou querem ser espertas o suficiente para utilizar a vaga, destinada a pessoas com deficiência.
Nos estacionamentos públicos, de algumas cidades, é necessário que se tenha um cartão especial para uso da vaga, mesmo que a pessoas seja portadora de deficiência, e é obrigatório a colocação em local visível e é passível de multa. Já nos estacionamentos privados, existe a obrigatoriedade das vagas em local acessível, porém não há necessidade do cartão.
O que mais encontramos pelos estacionamentos é uma prática muito errada feitas pelos motoristas. Vamos listar algumas delas abaixo:
  • Pessoas sem deficiência utilizam a vaga, tirando proveito de sua localização e de estar vazia.
  • As pessoas não tem a mínima noção de como o deficiente precisa utilizar o espaço e ocupam 4 vagas a partir de duas.
  • Motoqueiros acham que as listras diagonais são reservadas para estacionamento de moto
  • Os estacionamentos colocam cones para reservar as vagas dos espertinhos, porém o deficiente não tem como tirar os cones (afinal de contas ele não vai montar a cadeira para retirar o cone e desmonta-la para estacionar)
  • As vagas são mal sinalizadas e não tem indicação legível
Esses são apenas algumas das práticas erradas, mas existem muitas outras. Duro é a desculpa, esfarrapada, do indivíduo que uso a vaga irregularmente, sendo as mais tradicionais “Ihhh, nem vi que era para deficiente. Me Desculpa?” ou “Era rapidinho, eu só fui ali numa loja fazer uma troca”.
As vagas nos estacionamentos privados são destinadas a pessoas com deficiência física permanente ou temporária que impossibilite a locomoção, ou seja, “cadeirantes”, “muletantes” e pessoas com dificuldade de ambulação (andar), sendo os motoristas ou não.
Veja como funciona uma vaga de deficiente e o porque de uma vaga maior:
Vagas para deficiente   Respeite e não ocupe a sem permissão
Na figura acima você pode perceber que foram marcadas duas áreas e elas funcionam da seguinte forma:
  1. Área 1: Destinada para o carro.
  2. Área 2: Destinada para o cadeirante montar e desmontar a cadeira de rodas e poder se locomover para sair e entrar no carro.
O CQC fez uma matéria que falava sobre acessibilidade e questionou o uso indevido das vagas de deficientes para alguns espertinhos. Veja o vídeo colocado no youtube com a matéria.


Agora resta-nos apelar para que as tais vagas sejam respeitadas e não ocupadas sem permissão.
 




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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cadeirada



Calma, não me envolvi em nenhuma briga, nem joguei minha cadeira de rodas na cabeça de ninguém. Esse foi um termo que criei para expressar o direito de furar fila por ser cadeirante. É como um sinônimo da famosa "carteirada", que o povo da área jurídica usa para dizer que é melhor que todo mundo e não precisa enfrentar fila (é o caso de promotores, juízes, e até oficiais de justiça). Ah, policiais em geral também tem essa mania (nada contra, mas tem gente que abusa).
 Há um tempo queria falar desse assunto e vou aproveitar os acontecimentos dos últimos dias pra postar aqui.
Esse final de semana meus amigos me chamaram pra assistir uma peça no teatro municipal, era do grupo Pastoril Profano, o qual gosto bastante por ter um elenco super divertido. Na oportunidade, havia uma enorme fila na porta do teatro, porém meus amigos falaram com o pessoal da produção e aí demos uma “cadeirada”. ( furamos a fila e fomos os primeiros a entrar, de quebra ainda nos acomodamos nos melhores lugares da platéia).
Mas a “cadeirada” também gera polêmica. Afinal, nem todo lugar é obrigado a dar preferência pra deficiente, idoso ou grávida, mas é uma questão de bom senso.
Mas mesmo assim ainda tem gente que torce o nariz quando vê um cara jovem, bonitão e sentado passando na frente (jovem e bonitão foi por minha conta). Aposto que tem muita gente que pensa: "um cara novo, sentado, nem tá fazendo esforço, não precisava furar fila. É um oportunista..." Aí que mora o problema da falta de informação. A grande maioria das pessoas não sabe das dores e incomodo que muitos de nós sentimos ao ficar muito tempo na mesma posição, sem poder passar pra outra cadeira ou levantar o corpo. Ainda mais eu, que tenho escara e uso sonda.
Mas mesmo assim, mesmo sabendo que vou sofrer um pouco mais, algumas vezes eu pego fila, não pra satisfazer um sem noção que acha que tô errado furando fila, mas pra ter bom senso e até mesmo me incluir, ficar no meio do povo. Se estiver com um amigo então, tem aquele lance de bater um papo, reparar nas pessoas da fila ou zuar com um outro colega. Mas que uma “cadeirada” de vez em quando é bom, ah isso é. Se tiver alguém junto ainda pega carona, e a gente tira uma onda: "a fila tá grande? Peraí que vou dar uma cadeirada!" 


Desse jeito a gente até arruma mais amigos!




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